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Escolas Culturais Bahia

Arte, conhecimento e cultura compartilhados em escolas baianas

Paulo Freire pregava o poder transformador da educação, não para o mundo, mas nas pessoas, essas seriam capazes de trazer a verdadeira mudança. A realidade pensada pelo educador é bastante presente no Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, em Itabuna, cidade baiana localizada a pouco mais de 400 km de Salvador. A instituição de ensino é uma das contempladas pelo programa Escolas Culturais, desenvolvido pelo Governo da Bahia, e que visa a realização de oficinas artísticas e apresentações culturais.

Uma das beneficiadas pela iniciativa é a estudante Sara Maciel, 17. Ela entrou no colégio no primeiro ano do ensino médio e agora, no terceiro ano, está focada no Enem. “Eu era bem tímida para arrumar amigos e com o teatro fui perdendo essa timidez, porque lá é uma verdadeira família, nos conhecemos, viramos amigos e essa amizade seguiu para fora do colégio. Eu também ficava muito nervosa apresentando seminários e com o teatro fui desenvolvendo muito essas apresentações”, conta a aluna.

O dia a dia de Sara é bem corrido e uma rotina comum na vida de alguns colegas. Ela chega na escola às 7h da manhã e sai muitas vezes às 17h, porque participa de outras atividades desenvolvidas no local por meio do Programa Ensino Médio Inovador (ProEMI), que contempla oficinas em contraturno, ou seja, no horário que os alunos não estão em sala de aula para o ensino regular. São aulas de iniciação científica, mundo do trabalho, cultura corporal, línguas estrangeiras (inglês e espanhol) e mídias.

No caso do ProEMI, os alunos escolhem no mínimo duas atividades e assim podem permanecer no colégio com todo respaldo da instituição, incluindo a oferta de almoço para todo grupo. Uma das diferenças para o programa Escolas Culturais é que o primeiro é fechado para os alunos, enquanto o segundo tem como intenção maior a integração com a comunidade do entorno do colégio, além de contemplar os estudantes e os seus pais e responsáveis.

O ProEMI é uma política do Governo Federal, mas se complementa ao programa Escolas Culturais, que foi lançado oficialmente em julho de 2017, em Itabuna, no Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães. A instituição tem todo um histórico voltado a área cultural, sendo mais do que um modelo em nome, tem se tornado um ambiente cada vez mais propício para o desenvolvimento integrado de seus alunos.

 

Modelo Cultural

O Colégio Modelo tem 1.170 alunos matriculados em três turnos, matutino, vespertino e noturno. Garantir uma vaga nas atividades desenvolvidas na instituição não é uma tarefa fácil. Todos querem integrar os grupos, que se encontram em uma trajetória crescente no número de participantes. Como a quantidade de inscritos supera a disponibilidade, uma pequena triagem acaba sendo feita.

“A disputa por uma vaga aqui é grande e infelizmente não podemos atender a todos os alunos. Aí vamos fazendo outras atividades para que os alunos possam comparecer, possam participar. Mas a gente tem uma lista, para que façam a inscrição, apresentamos como vai ser e vemos os que estão interessados para fazer uma triagem”, explica a gestora do colégio, Ednailza Miranda.

Os professores e alunos já sentem as mudanças na postura dos alunos em relação ao comportamento e a outras áreas. “Autoestima sobe muito, aumenta demais, alunos que tinham problemas em casa, de timidez, alunos que tinham pais mais problemáticos e a partir desse resgate, porque não é só a parte de encenação ou dança, tem também uma conversa. Esses alunos eles acabam falando para os professores e para gente também, o que passam em casa”, destaca Ednailza Miranda.

Ednailza Miranda

As oficinas apoiadas pelo programa Escolas Culturais são de dança, teatro, música e audiovisual. Como uma forma de diversificar a participação e não atrapalhar a rotina de estudos, a gestora do colégio aponta que é realizada uma oficina por mês. Diversos profissionais vão até a instituição para integrar essa dinâmica de aulas, seja parte do corpo docente da escola ou não.

Uma dessas facilitadoras é a professora de linguagens, Laiz Carvalho. “Tudo é produzido aqui na escola e isso é um diferencial, não é que eu rejeite trabalhar outras obras, outras histórias, mas entendo que até as coisas saindo de mim, pertinho deles, é uma forma de inspiração. Então eu faço a concepção, eu tenho a ideia, dessa ideia, vou materializá-la. Então a concepção, a produção, toda sequência sai daqui e depois que eu termino o texto, trago para eles”, conta a professora.

As ações dentro do colégio ocorrem de forma integrada e um desses exemplos incide no teatro. As peças encenadas pelos alunos contemplam questões que estão sendo trabalhadas dentro e fora das salas de aula. Recentemente houve a apresentação do espetáculo “Albert Einstein, os meandros de uma equação”, envolvendo os grandes ensinamentos do famoso físico e criador da teoria da relatividade.

“Não é porque eu sou da área de linguagens que o teatro fica restrito a área de linguagens. O teatro transita, então todas as áreas que pedem alguma coisa, eu sempre dou um jeitinho. Se eu tiver apta a isso, nós produzimos peças para quem pede, e sempre encaixando nos projetos da escola, que acontecem durante o ano e as peças sempre estão vinculadas o que acontece na escola ou fora dela”, afirma Laiz Carvalho.

O grupo de teatro existe na escola desde 2015, quando a professora Laiz recebeu o convite de três alunos para começar a movimentação artística. Logo os estudantes batizaram a trupe de “Sanatório”, porque entendiam que teatro era sinônimo de fazer uma loucura, quebrar com a rotina sala de aula, mais formal e repleta de regras e normas, criando possibilidades para um espaço experimental, mais aberto.

Cursos Técnicos

O fomento a cultura dentro da Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães tem tomado contornos mais sérios numa perspectiva profissional. A partir do mês de abriu deste ano serão ofertados cursos técnicos com apoio do programa Escolas Culturais. A movimentação dentro da instituição já está grande para a recepção dos novos alunos, que podem chegar a 120. Além da organização dos espaços para as aulas, mais um aliado vai compor as atividades, a instalação de internet banda larga.

São cinco cursos técnicos, dança, teatro, produção de áudio e vídeo, multimídias e figurino cênico, sendo quatro no noturno e um no vespertino. Cada turma terá 20 alunos, exceto figurino cênico, que poderá ter até 40 participantes. Os estudantes participam por um ano e terão o currículo todo organizado, para que possam ganhar o certificado de técnicos na área que escolheram.

Emerson Soares concluiu o ensino médio na escola no último ano, mas soube da possibilidade de integrar as turmas de curso técnico e logo se matriculou. “O que me motivou a fazer o curso técnico é que desde cedo tenho essa vocação para edição de áudio, de vídeo, então isso já está no sangue, de querer trabalhar com isso, aí decidi ter mais uma coisa para complementar o meu currículo. O colégio abriu portas muito grandes para mim”, justifica.

Emerson Soares

Modelo Científico

Emerson ainda aplicou seu conhecimento em prol da ciência. Ele filmou e editou, em parceria com alunos e a gestora da escola, um vídeo para apresentar um projeto científico desenvolvido, o bioplástico feito a partir da banana verde, ou seja, um plástico com propriedades iguais ao plástico comum, mas diferente porque usa uma matéria-prima renovável. O projeto concorreu ao prêmio “Respostas para o Amanhã”, promovido pela Samsung e ficou entre os sete mais importantes do Brasil, na etapa nacional.

Expressões artísticas dão um tom diferente na vivência do Colégio Modelo, porém a ciência também é muito presente no cotidiano dos alunos. Os estudantes do primeiro ano do ensino médio protagonizaram a ideia do bioplástico junto com um professor da instituição. Além de chegarem a etapa nacional, houve uma vitória a nível regional, que rendeu o ganho de um computador para escola. “Esse ano estamos prometendo fazer mais, ano passado foi nossa primeira participação, agora os alunos estão ainda mais motivados”, comemora Ednailza Miranda.

A aluna Camila Ribeiro é uma das apaixonadas pela área científica, além de integrar o grêmio da escola, ser monitora nas aulas de inglês incluídas no ProEMI, faz parte do grupo de que desenvolveu o bioplástico da banana verde. Ela quer ser comissária de bordo e comemora o ingresso na escola, que tem ajudado a chegar cada vez mais perto do seu sonho profissional para o futuro, principalmente por meio das aulas de língua estrangeira.

“Eu entrei no colégio no primeiro ano, meus pais estudaram aqui. Antes eu estudava numa escola particular, mas por motivos de locomoção e pelo fato do Colégio Modelo ser um privilegiado, vim para cá. Apesar de fazer curso de inglês fora, o modelo tem aberto novos caminhos para mim, ainda mais quando também posso ajudar outros alunos com dificuldade”, relata Camila Ribeiro.

 

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