Sou mais a Bahia, Governo da Bahia.

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Governo constrói encostas em Salvador

Encostas estabilizadas em Salvador garantem mais qualidade de vida para população

A chuva é motivo de festa no Sertão da Bahia, mas para alguns moradores de Salvador, é a preocupação que dá o tom quando o céu fecha. Um dos motivos são os deslizamentos de terra em encostas espalhadas por toda capital. Além disso, o próprio acúmulo de água causado pelo declive ocasiona diversos transtornos para a população, com perdas que vão muito além dos danos materiais.

Maurina Santana, empregada doméstica aposentada, sentiu esses problemas na pele. Os dias de chuva eram um tormento para ela e sua família. Moradora do Alto da Terezinha há 20 anos, em muitas ocasiões se viu retirando água da casa para jogar na rua com ajuda dos vizinhos. Divorciada há muitos anos, criou os filhos sozinha. Bastava o céu nublar para que ficasse aflita, pensando principalmente neles sozinhos.

“Quando chovia, a gente ficava acordado só pensando o pior, todo mundo ficava naquele alerta, meus filhos me perguntando se o barranco ia cair, era muita água que entrava na casa, era móvel perdido, era remédio perdido, era receita perdida, bolsa. Comprava um móvel e com um ano a água tinha acabado com ele”, conta dona Maurina.

Encosta Salvador

Dona Maurina

Outro acontecimento também marcou os dias da aposentada, uma grande chuva destruiu o quarto de um dos seus filhos. Joca, como era chamado carinhosamente, dormia em um cômodo muito próximo da encosta. Ele tinha epilepsia e esquizofrenia e, de acordo com ela, o quadro do rapaz piorou bastante depois dessa situação. Ele acabou falecendo há alguns anos vítima de um infarto.

“Penso demais no meu filho, tudo que a gente faz é pensando nele, uma pena que não está aqui para fazer o quarto dele, para ver a boniteza. A água levou o quarto e no dia eu estava trabalhando, quando eu cheguei meu outro filho me avisou, ele ficou muito triste e cobrava muito um quarto novo. Todo mundo que chegava aqui, ele falava isso. Uma pena que a obra da encosta veio só agora”, explica Dona Maurina.

A contenção da encosta de que Dona Maurina lembrou faz parte do Programa de Contenções de Encostas do Governo da Bahia. Nesse caso específico, a obra da encosta situada no Alto da Terezinha, onde ela mora, e que foi inaugurada no final de fevereiro. Com recursos próprios e federais, vindos do Ministério das Cidades e do Ministério da Integração, o cenário da capital baiana tem mudado para melhor, com mais segurança e tranquilidade para a população.

Contenções de Encostas

As encostas selecionadas para obras de contenção se enquadram em alto e muito alto risco. No primeiro caso, por meio do Plano Diretor de Encostas (PDE) do município de Salvador, foram identificados os locais mais críticos e que precisavam intervenção, totalizando 98 pontos. Já no segundo, são declives em situação emergencial, principalmente depois de uma longa chuva em 2015, estes chegam a nove, três em Candeias, na região Metropolitana, e seis em Salvador.

“Depois das chuvas que caíram na cidade de salvador e na região metropolitana em 2015, ocorreram deslizamentos em muitas áreas, em alguns casos com vítimas fatais. Por conta disso, por serem caracterizadas como encostas emergenciais, houve uma vistoria do Ministério da Integração, que apontou a necessidade de uma atuação imediata”, justifica o diretor de Habitação e Urbanização Integrada da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), Deusdete Fagundes.

Após a identificação e escolha dos declives, técnicos vão até o local para definir qual o melhor método para estabilizar a encosta. A depender do caso, casas próximas precisam ser desocupadas e os moradores recebem um aluguel social enquanto as obras estão em andamento. Se a estrutura das residências estiver comprometida a ponto de ser condenada, o proprietário pode escolher entre o imóvel no Programa Minha Casa Minha Vida ou uma indenização.

Como a intenção maior dos projetos é estabilização da encosta para evitar deslizes de terra e outros problemas, muitas vezes a construção não incorpora serviços complementares, como escadarias, guarda corpo – proteção lateral no topo da encosta – e caminhos. Sendo assim, o Governo da Bahia tem trabalhado para ir além, pensando no entorno dos locais, incluindo ainda parques infantis, equipamentos para ginástica e outras estruturas.

“Estamos sempre com essa necessidade dos serviços complementares. Por conta disso, quando se vai construir ou inaugurar uma encosta, existe um clamor da população por isso. Então o Governo tem um contrato visando dar suporte de serviço complementares, tanto na parte de mobilidade, com passeios, caminhos, pavimentações de ruas e escadarias, como também urbanização”, justifica Deusdete Fagundes.

Outros problemas

As chuvas também revelam outros problemas, causados pelo acúmulo de lixo descartado pela população. Com um número elevado de resíduos amontoados no relevo irregular das encostas sem contenção, o ambiente se torna propício para o mosquito da dengue e até ratazanas. Estas últimas ainda podem cavar caminhos, afetando mais ainda os declives e criando espaços para água parada.

De acordo com o líder comunitário do bairro de São Caetano, Domingos Moreira, as contenções são muito importantes, porque contemplam uma série de situações. “Uma encosta dessa envolve tudo, questões de segurança, de saúde, até a redução da proliferação do mosquito da dengue. Então diversas coisas são inseridas na obra, mas é preciso que as comunidades fiquem atentas e participem”, alerta.

No Alto da Terezinha, subúrbio da capital baiana, o açougueiro Gilmar da Anunciação tinha uma grande preocupação em tempos nublados, a porta de uma geladeira, que ficava no topo da encosta próxima a sua casa, mais uma consequência da ausência de cuidado com materiais descartados. O pedaço de eletrodoméstico não caiu na residência, mas por muito tempo recebeu atenção dele.

“Desde que eu vim morar aqui, tinha um monte de lixo na parte alta da encosta. O mais marcante para mim foi a porta de uma geladeira, ficava com muito medo dela, de dar uma chuva e ela cair na nossa casa, ia ser bem na área da cozinha, que fica nos fundos. O terreno era solto, se a porta descesse, ia ser um problema. Ela estava enterrada, metade dentro e metade fora da terra”, relembra Gilmar.

Vida nova

A estabilização das encostas trouxe paz para os moradores, que ao mesmo tempo puderam investir mais em suas propriedades, já que não havia mais medo de perder os bens adquiridos com as chuvas. Gilmar da Anunciação foi um deles. O Açougueiro disse que os vizinhos sempre comentavam que sua casa era a mais feia da rua, depois da reforma feita, a opinião mudou.

“A gente não dormia com essa encosta, agora a casa foi concluída, eu investi, porque sabia que o trabalho que foi feito era bom, que não ia mais correr perigo. Hoje, do jeito que está, falta pouquinha coisa, mas graças a deus está tudo perfeito, tudo arrumadinho, valeu a pena, valeu esperar um pouco, mesmo com todo perigo. Só tenho que agradecer”, afirma Anunciação.

Já Dona Maurina, além de aplicar recursos na sua casa, colocando azulejos, comprando novos móveis e pintando, viu sua qualidade de vida melhorar exponencialmente. Agora as noites de sono são muito mais tranquilas. Portadora da doença de chagas, o descanso é fundamental, principalmente depois da aposentadoria. Hoje ela diz que só trabalha para os filhos e netos.

“A primeira noite [depois da contenção] foi cair na cama e dizer bufe [sic]. Dormi até oito horas da manhã, dormi muito. Não tinha mais perigo, a água a batia e ia embora. Agora eu deito e nem vejo a água cair, quando acordo, pergunto ao meu filho e ele que fala que choveu. Quando eu vejo as tragédias que tão acontecendo fico muito feliz de Deus ter mandado essa benção para gente”, comemora.

A qualidade das obras de contenção foi um fator que chamou atenção do mestre de obras aposentado, Marcelino Lopes, morador do bairro de São Caetano. Ele se sentiu muito mais seguro acompanhando o processo. Metade de sua casa chegou a desabar no ano de 1979, enquanto ele trabalhava no bairro de Ondina, felizmente ninguém se machucou no incidente.

“De todas as encostas que eu vi fazer, essa só não dou nota 11 porque é exagero, mas 10 eu dou, porque eu acompanhei, olhei. Eu disse, é boa, é bem-feita. A melhor coisa é você se sentir seguro onde mora, de manhã é até tranquilo, você vê tudo, mas a noite é para o descanso e tudo acontece a noite, noite sem descanso não é descanso, é um problema”, desabafa Marcelino Lopes.

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