Sou mais a Bahia, Governo da Bahia.

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Hospital da Mulher – Delas Pra Elas

Um lugar para acolher as mulheres, cuidar da saúde delas e garantir atendimento humanizado e personalizado. Atender a essas demandas foi o que levou o Governo do Estado a inaugurar, em janeiro de 2017, o Hospital da Mulher, a segunda maior unidade de referência do País nesta especialidade. Para quem questiona se há realmente a necessidade de existir um hospital voltado apenas para o público feminino, a resposta está aqui: na Bahia, há 130 mil mulheres a mais que homens e, somente em 2016, cerca de mil casos de violência sexual foram registrados pelo sistema de saúde.

Um muro: apenas isso separa a bela praia de mar calmo da Baía de Todos os Santos, em Salvador, do Hospital Maria Luzia dos Santos. De lado de lá, muita animação dos jovens que jogavam futevôlei na faixa de areia. Do lado de cá, Lúcia Chagas, de 72 anos, nos conta como descobriu e enfrentou um câncer dentro do Hospital da Mulher.

Com sua voz tranquila, a serena Dona Lúcia fala sobre a doença como quem fala do que comera no café da manhã. Em momento nenhum pensou que iria morrer. A força e o equilíbrio desta professora aposentada vêm da fé, algo que a acompanhou em todos os momentos desde que descobriu o câncer de mama.

Dona Lúcia soube do tumor maligno através de uma mamografia de rotina, exame que normalmente é realizado após os 40 anos de idade ou em suspeita da doença. Depois de curtir os festejos juninos e espairecido as ideias, essa mulher guerreira, natural de Canavieiras, mãe de três filhos e avó de quatro netos, estava decidida a ficar curada. Uma única coisa lhe afligia: a falta do plano de saúde.

Foi no Hospital da Mulher que ela encontrou esperança. Após passar por um atendimento prévio em uma unidade básica do município, foi encaminhada ao Hospital da Mulher pela Central Estadual de Regulação. Nesse momento, a angústia deu espaço para a vontade de viver.

Aproximadamente dois meses e meio separaram o diagnóstico da cirurgia, que durou pouco mais de duas horas. A mama fora removida e o processo de reconstituição também foi iniciado naquele mesmo instante.  Nove dias depois do procedimento bem-sucedido, Dona Lúcia precisava conviver com a dor e ainda tinha conectado ao corpo uma espécie de bolsa sanfonada cheia de líquidos. Mas esse era só mais um obstáculo, de tantos outros que dona Lúcia estava determinada a superar.

“Eu fiquei tranquila, porque você não pode perder o rumo. Tem que estar segura para você se conduzir”

Hospital Maria Luzia Costa dos Santos – Hospital da Mulher

Dona Lúcia Chagas é uma das mais de 45 mil mulheres que já foram atendidas no Hospital da Mulher desde a sua inauguração, em janeiro de 2017. Localizado no Largo de Roma, na Cidade Baixa, a unidade foi construída no mesmo local onde funcionava o antigo Hospital São Jorge (PAM de Roma), que passou por uma mudança completa no interior do prédio.

Empregos Diretos

De janeiro a setembro de 2017, o Hospital da Mulher gerou 675 empregos diretos, sendo 463 profissionais da área assistencial como médicos, psicólogos, enfermeiros, nutricionistas, assistentes sociais, farmacêuticos e fisioterapeutas. A unidade conta também com 192 profissionais de serviços e apoio logístico como maqueiros, recepcionistas, agentes de portaria, higienização, telefonistas, copeiros, auxiliares de almoxarifado, auxiliares de manutenção, engenheiros clínicos e pessoal administrativo.

Construído em uma área de 30 mil metros quadrados, o HM conta com uma equipe multidisciplinar de 165 médicos, 228 profissionais de apoio administrativo e 350 funcionários da área assistencial, que realizam cerca de nove mil consultas e mil procedimentos cirúrgicos por mês. Mais de 400 mulheres são atendidas, por dia.

Tecnologia de Ponta

A unidade possui equipamentos de última geração. As dez salas cirúrgicas têm itens de ponta, oferecendo maior precisão para profissionais e pacientes. O centro de diagnóstico está equipado com tomógrafo computadorizado, mamógrafo, ultrassom, doppler scan e raio-X. Já o Laboratório de Análises Clínicas funciona 24 horas, realizando exames de bioquímica, coprologia, hematologia, hormônios, imunologia, fluidos corporais (incluindo líquor), microbiologia, gasometria (na UTI) e uroanálise.

As mulheres atendidas no HM também terão à disposição o diagnóstico de Anatomia Patológica, que será utilizado em biópsias do Serviço de Alta Resolução no Diagnóstico e Tratamento do Câncer de Mama e Colo do Útero e biópsias oriundas de procedimentos cirúrgicos.

Especialidades Médicas

A unidade oferece serviços voltados às especialidades médicas de ginecologia, mastologia, reprodução assistida, endocrinologia, oncologia, angiologia, cirurgias plástica e geral, além de atendimento para vítimas de violência sexual. A unidade também dispõe de serviço de urgência e emergência ginecológica, com funcionamento 24 horas.

Uma das novidades no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) na Bahia é o serviço de média complexidade em reprodução humana assistida. O objetivo é atender mulheres com diagnóstico confirmado de pólipo endometrial, cistos anexiais, endometriose, má formação congênita ou que estejam inférteis há mais de dois anos sem causa definida.

As mulheres também terão acesso ao serviço de planejamento familiar com métodos contraceptivos reversíveis de longa duração, Dispositivo intrauterino (DIU) e laqueadura tubária. O serviço terá como público-alvo, principalmente, mulheres de risco para trombose, hipertensão, cardiopatias, com doença falciforme e/ou em situação de vulnerabilidade social.

Área de Alcance e Recursos

A unidade, destinado a atender os 417 municípios, teve investimento superior a R$ 40 milhões entre obras e equipamentos. A unidade é administrada pela organização social Instituto Fernando Filgueiras (IFF), que já administra outras três unidades de saúde em Salvador, Itaparica e Santo Antônio de Jesus.

O Hospital da Mulher é o maior do Norte-Nordeste.

Então, é só chegar e ser atendido?

Não! De acordo com a coordenadora de atendimento Anailza Meirelles, para ter acesso a unidade, o seu município terá de lançar a sua necessidade no sistema Lista Única. Assim, se você tiver necessidade de realizar alguns dos serviços que o Hospital da Mulher dispõe, procure a Secretaria Municipal de Saúde do seu município ou Postos de Saúde e solicite o seu cadastramento no sistema Lista Única. Ou seja, as mulheres não precisam ir ao HM para marcar consultas e exames. Após o cadastramento no sistema, a equipe do Hospital da Mulher fará contato com você e informará o dia do seu atendimento. Essa é uma maneira de te atender melhor e mais rápido. Se tiver alguma dúvida ou sugestão, você pode entrar em contato através do telefone 0800-071-4000, que atende de segunda a sexta, das 08 às 18 horas. A ligação é gratuita.

Mas eu não sou de Salvador, também poderei ser atendida lá?

Sim! A coordenadora ressalta que o sistema Lista Única, criado pelo Governo do Estado, permite que todos os nossos municípios possam enviar pacientes para o hospital de forma mais rápida e prática. Por isso, procure a Secretaria de Saúde ou o posto de saúde do seu próprio município que eles lançarão a sua necessidade no Sistema Lista Única do Hospital da Mulher e, posteriormente, o HM fará contato e agendará o dia da sua consulta ou procedimento.

Se eu tiver alguma outra dúvida, o que devo fazer?

Você pode entrar em contato através do telefone 0800-071-4000, que atende de segunda a sexta, das 08 às 18 horas. Outra novidade é que as pacientes serão avisadas por SMS sobre o agendamento de suas consultas ou procedimentos, lembrando o dia e horário marcados.

A Prioridade

O carro-chefe do Hospital da Mulher é o atendimento de pacientes diagnosticadas com câncer de mama, doença que vitimou a mãe do atual gestor do Estado. O nome da unidade de saúde é uma homenagem à mãe do Governador.

O serviço de alta resolutividade para diagnóstico e tratamento do câncer de mama também é inédito. Mulheres com exames diagnósticos de imagem indicativos de tumor maligno serão submetidas à biópsia no mesmo dia e poderão passar por intervenção cirúrgica imediata na unidade de saúde. Com essa agilidade, pretende-se reduzir o tempo para o início do tratamento e a perda dessas mulheres, o que irá permitir menores sequelas e maior sobrevida. Opinião compartilhada pelo médico André Dias, mastologista que tratou dona Lúcia:

“No caso de câncer o diagnóstico precoce é essencial e com perspectivas de cura”

 André Dias, médico mastologista com a paciente Dona Lúcia

O médico ressalta, ainda, que de fevereiro a setembro de 2017, somente o setor de mastologia* atendeu mais de 10 mil e 500 pacientes e realizou uma média de 850 cirurgias, que envolvem a retirada de nódulos benignos e malignos.

*Mastologia – a especialidade médica que se dedica ao estudo das glândulas mamárias, previne, diagnostica e trata as doenças da mama

Primeiro centro de atenção para a mulher vítima de violência sexual na Bahia

O serviço de atendimento especializado para vítimas de violência sexual funciona 24 horas, durante os sete dias da semana, com uma equipe multidisciplinar, composta por médicos, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, além de técnicos das áreas de enfermagem e radiologia.

Atendimento Porta Aberta

De acordo com a coordenadora do Serviço de Violência Sexual, Jamile Martins, o acolhimento é “porta aberta”, ou seja, as mulheres chegam à unidade por demanda espontânea.

As pacientes são encaminhadas por órgão policial, judicial ou referenciada pela Central de Urgências do Samu. São disponibilizados escuta qualificada, atendimento clínico e cirúrgico, atendimento psicológico, bem como dispensação e administração de medicações para profilaxia nos casos indicados. Há ainda orientação e agendamento para acompanhamento psicológico e ginecológico pelo período que os profissionais considerarem necessário.

Um enfermeiro realiza a primeira abordagem. O médico, o psicólogo e o assistente social aparecem na sequência. Quando uma paciente, que foi violentada sexualmente, chega ao Hospital da Mulher é feita uma leitura da realidade daquela mulher, do que ela sofreu e só então, o tratamento é iniciado. Jamile Martins ressalta a importância do HM, em especial, o setor coordenado por ela.

“A construção desse hospital é uma conquista, pois ele é um hospital voltado só para as mulheres. É importante para a mulher ter um lugar só dela, que não misture com outros tipos de atendimentos. Aqui nós temos um atendimento humanizado, a gente preza muito por isso, desde o acolhimento. Não é fácil para nenhuma paciente sofrer qualquer tipo de violência, seja ela psicológica, física ou sexual e ter um profissional para poder contar seu caso é essencial”.

 

Jamile Almeida Martins, médica obstetra, coordenadora do Serviço de Violência Sexual

Quando o filme de terror é real

A manhã do dia 23 de fevereiro era para ser mais um dia comum na vida de S.S. Não foi o que aconteceu. O coletivo estava demorando de passar pelo ponto onde ela estava acostumada a ficar e já eram quase 6 horas. Com receio de perder o horário do trabalho, S.S decidiu ir para outro ponto de ônibus. Assim que chegou ao novo local, sentada, S.S só sentiu o frio do cano da arma na cabeça.

Foram horas caminhando aleatoriamente pelas areias brancas das dunas de Stella Maris, bairro da capital. O lugar de paz e tranquilidade, normalmente considerado um paraíso, tornou-se cenário de violência e de cruéis agressões. Nas seis horas que ficou sob o poder do agressor, S.S. foi violentada várias vezes. Em dado momento, seu algoz decidiu soltá-la e ela conseguiu ir embora.

Com ajuda de uma vizinha, a carona de um desconhecido e a escolta da polícia, S.S prestou queixa e foi encaminhada rapidamente para o Hospital da Mulher. “Assim que cheguei aqui (no HM), me prestaram os primeiros atendimentos. Iniciei o uso do coquetel de medicamentos e fiz todo o tratamento emergencial. O hospital me deu todo o amparo, pois a equipe está preparada para essas situações. Talvez se eu tivesse ido para outra instituição, não seria tão bem atendida quanto fui aqui, em todos os aspectos. Foi muito importante ter essa referência própria para esse tipo de violência”.

S.S, paciente do Hospital da Mulher, vítima de violência sexual

Por quase um mês, ela continuou com o tratamento medicamentoso, tomando três diferentes tipos de remédios todos os dias. Já o acompanhamento psicológico permanece. Temente a Deus, S.S garante que a fé e as terapias que faz toda semana, há cerca de sete meses amenizaram os seus traumas.

O Número da Covardia

O drama vivido por S.S é reflexo do machismo presente na sociedade patriarcal , que faz das mulheres vítimas da violência de gênero. De acordo com o resultado de uma pesquisa feita pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), somente em 2016, cerca de mil casos de violência sexual contra as mulheres foram registrados por meio do sistema de saúde na Bahia.

O almejado empoderamento feminino

“Empoderamento feminino, para mim, nada mais é que assegurar que a mulher ocupe o espaço que ela quiser ocupar”. É assim que Tia Má, jornalista e uma das 25 negras mais influentes da internet, explica o que é, de forma abrangente, esse ato de tomada do poder sobre si mesma.

E sobre o Hospital da Mulher, ela comenta: “empoderamento feminino na saúde é você ter também um hospital especializado na mulher porque, muitas vezes, somos nós que amargamos os piores índices relacionados a violência doméstica”.

Maíra Azevedo (Tia Má)

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