Sou mais a Bahia, Governo da Bahia.

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Investimento do Governo do Estado em mobilidade mudou Salvador

O barulho das buzinas mostra pressa, ouve-se por todos os lados. O som vem dos quase 900 mil veículos registrados em Salvador, segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Apesar do conforto de fazer o próprio horário, enfrentar o tráfego lento dos horários de pico não é fácil e os custos de manter um veículo também. Em um cenário de população crescente – 2,95 milhões, de acordo com a estimativa do IBGE em 2017 – a capital baiana tem recebido soluções de mobilidade não apenas para os carros.

De acordo com professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e pesquisador da área de mobilidade, Juan Pedro Delgado, as pessoas entraram em conflito claro entre uso e posse de automóveis, uma tendência que atinge não apenas Salvador, como todo país. “A população pode ter carro, mas está usando intensamente em viagens que podiam ser feitas com outros meios de transporte, podiam ir a pé ou de transporte público, por exemplo. Usamos os carros em uma escala insustentável”, enfatiza.

O direito à livre locomoção é garantido pela constituição federal, porém se faz necessário pensar nos meios para tal deslocamento, incluindo a segurança e o bem-estar da população. Um dos caminhos escolhidos pelo Governo da Bahia foi o investimento nos meios coletivos de transporte, a exemplo do metrô, que atende não apenas os habitantes de Salvador, mais inclui os usuários da região metropolitana, os quais chegam a aproximadamente um milhão.

Metrô
O advogado Marcos Barcelar deixou o carro de lado e passou a usar somente o metrô. Ele comemora a expansão constante das linhas. Hoje todo os locais que o profissional precisa ir são atendidos pelo metrô, já que mora próximo à estação Brotas, integra a equipe de um escritório perto da estação Rodoviária e vai a audiências tanto no Fórum Ruy Barbosa (estação Campo da Pólvora) quanto no Fórum Regional do Imbuí (estação Imbuí).

“O carro virou um problema porque está em desuso. De segunda a sexta, praticamente só uso o metrô, que contempla plenamente minha necessidade de deslocamento. O carro sai da garagem apenas para ir até locais onde as linhas não chegam. Com duas passagens de metrô não dá a diária de um carro, com a gasolina no preço que chegou, o custo benefício do metrô é bem melhor”, relata Barcelar.

O metrô conta com 19 estações, sendo oito na linha 1, somando 12 km, e 11 na linha 2, chegando a 17 km de extensão. Ainda no primeiro trimestre desse ano, a previsão é que a linha 2 chegue ao Aeroporto, beneficiando ainda mais os turistas e cidadãos. Hoje são seis terminais de ônibus integrados administrados pela CCR Metrô Bahia, Pirajá, Retiro, Acesso Norte, Rodoviária e Mussurunga. Além deles, o sistema metroviário contempla o terminal da estação Lapa.

Segundo o Gestor de atendimento e operações da CCR Metrô Bahia, Hamilton Trindade, um dos grandes diferenciais do metrô de Salvador está em seu sistema de sinalização, o CBTC. “É um dos mais modernos do mundo, a linha 4 do metrô de São Paulo, também operada pela CCR, tem esse recurso. O sistema garante que o metrô funcione sem riscos de acidentes, por exemplo. Você consegue reduzir o intervalo entre um trem e outro para até três minutos”, explica.

Hamilton Trindade da CCR Metrô

A segurança é outro destaque, são 1.500 câmeras espalhadas nas estações e 500 agentes de segurança e atendimento, todos treinados para lidar com as situações diversas encontradas nas estações, que vão desde infrações a condução de idosos e deficientes, por exemplo. No tocante a acessibilidade, a estrutura das estações contempla escadas rolantes, elevadores e pisto tátil. Os novos trens ainda têm iluminação em LED e são mais largos, dando conforto e agilidade no embarque e desembarque.

Segundo a Secretária de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia, Jusmari Oliveira, além dos benefícios para a mobilidade, o metrô mexe com a questão econômica da região em que passa. “Temos todo cuidado com o acesso dos cidadãos, mas uma das partes mais importantes esta na área econômica. O metrô gera milhares de oportunidade de renda e emprego, tanto nas partes internas as estações, como nas externas. Estamos trabalhando num plano de negócios só para área de intervenção do metrô”, evidencia.

A empregada doméstica Noélia Conceição disse que passou por alguns problemas causados pela dificuldade com a mobilidade urbana em Salvador. “Muitas vezes perdi horário de trabalho por atraso, horário de médico, os ônibus passavam e não paravam. Com o metrô dá para chegar em casa mais cedo, chegar mais cedo no trabalho. Saio domingo para passear dia de domingo com as netas, os filhos, me sinto segura, a viagem é tranquila, confortável”, lembra.

A rapidez no deslocamento é uma das grandes vantagens dos trens. A viagem de metrô da estação Lapa ao Acesso Norte leva 6 minutos. De Acesso Norte a Mussurunga, 22 minutos. Se o usuário sair da Lapa e for até a estação Mussurunga, considerando a transferência da linha 1 para linha 2, gastará 30 minutos. Na linha 1, percorrer da Lapa até Pirajá leva 16 minutos.

Em Salvador, desde outubro de 2017, também é possível fazer a integração entre os ônibus municipais e o metrô em um período de duas horas. Já quem vem da região metropolitana, tem até três horas para embarcar no metrô e em ônibus urbanos. O procedimento permite que o usuário pague apenas uma passagem para usufruir dos transportes, entretanto deve ter em mãos os cartões do metrô, Metropasse ou SalvadorCARD.

“Vou para estação Detran, Mussurunga, volto para o Detran, vou para Lapa, porque vou fazer faxina nesses lugares. Também frequento a casa de amigos em Mussurunga, salto na estação e pego o ônibus, faço a integração. Para Lapa vou fazer compras. Achei que facilitou a minha vida e a vida de muita gente”, esclarece Noélia Conceição, que incorporou o metrô em suas locomoções diárias.

Linhas Azul e Vermelha
Salvador é quarta capital mais populosa do país e ligar os soteropolitanos é uma tarefa árdua, mas algumas obras têm sido fundamentais no sentido de estreitar ainda mais a cidade e a população. A linha vermelha é uma delas, terá uma extensão de 20km, iniciando com a duplicação da avenida Orlando Gomes, em Piatã, passando pelo sistema viário de Águas Claras e pela nova avenida 29 de Março, com previsão de inauguração para este ano.

O eixo viário contempla seis viadutos, pontes, ciclovias e pista dupla com três faixas cada, com uma delas exclusiva para Bus Rapid Transit (BRT). Um dos pontos importantes da obra é fazer a ligação entre Paripe a Piatã, além disso, beneficia bairros como Trobogy, Mussurunga, Bairro da Paz, Jardim Nova Esperança, Águas Claras e Cajazeiras. O custo total da construção é de R$ 581,5 milhões.

Já para a linha azul foi feito um investimento de R$ 647 milhões. São 12,7km de extensão conectando os bairros de Patamares e Lobato. A via contará com dez viadutos, quatro túneis duplos, ciclovias e pista dupla com três faixas cada, incluindo uma exclusiva para o transporte público, fazendo a integração ao metrô. Favorece bairros como São Rafael, São Marcos, Sussuarana, Mata Escura e Campinas de Pirajá. A obra abrange a avenida Pinto de Aguiar e a ligação com a avenida Gal Costa, além da ligação Pirajá Lobato.

“As linhas [azul e vermelha], que são transversais, vão provocar uma nova conectividade na cidade, ou seja, uma nova lógica de conexões e que vai influenciar em ganho de tempo de viagem para os soteropolitanos e a região metropolitana terá um grande impacto. Quem está em Paripe, por exemplo, terá uma relação mais direta com a cidade e isso vai influenciar o uso do solo e atividades urbanas, empreendimentos imobiliários”, destaca o professor Juan Pedro Delgado.

Além desses projetos, a Via Expressa Barradão, executada pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado (Conder), vai fazer a conexão da Avenida Luís Viana com a rua Artêmio Castro Valente, que passa ao lado do Estádio Manoel Barradas, o Barradão. A iniciativa deixará o trânsito mais fluido, beneficiando 500 mil moradores de bairros como Canabrava e Nova Brasília. A obra tem custo total de R$ 26 milhões e quase 4 km de extensão.

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