Sou mais a Bahia, Governo da Bahia.

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Policlínica Regional de Saúde em Jequié

“Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas não chegará a ti”, esse é um dos versículos do Salmo 91, que o agricultor Roque Brandão repetia em cima da maca em um hospital, quando pensava não ter mais solução para seu problema de saúde. Diagnosticado com fibrilação atrial, que tem como consequência palpitações cardíacas, ele alcançou 200 batidas por minuto e não havia feito qualquer esforço, 180 já seria número suficiente para o perigo de morte.

O caso aconteceu em novembro de 2017, mas não era novidade para Roque. Ele sentiu o coração acelerar pela primeira vez em junho de 2014. A piora no ano passado o fez entrar numa maratona cara de exames e médico particular. Já sem dinheiro para gastar em procedimentos e consultas, soube da Policlínica Regional de Saúde em Jequié. Com a demanda para fazer um ecocardiograma, poucos dias depois foi atendido e encaminhado para um profissional dentro da própria unidade.

Policlínica Regional de Saúde em Jequié

Roque Brandão

“Vejo a policlínica para mim e para população uma virtude para saúde, de acolhimento da zona rural, de distritos, quantas pessoas carentes no distrito que não tinham um meio de comunicação, o hospital não suportava, não tinha como, e a policlínica está sendo esse acolhimento completo. O que eu ia fazer, eu nem sei, porque não tinha como retornar ao médico. Se eu não tivesse feito o exame na policlínica, acho que alguma coisa ruim poderia ter acontecido”, relata Roque Brandão.

O caso de Roque não é único, inúmeros outros pacientes passam por situações similares, mas a situação mudou completamente com a instalação da Policlínica Regional de Saúde em Jequié. Inaugurada em dezembro de 2017, atende 28 municípios da região e quase 565 mil pessoas podem ter acesso aos serviços disponibilizados. Uma população que muitas vezes tinha que ir até Salvador, percorrendo mais de cinco horas de viagem, além das longas filas de espera para uma consulta ou exame. Desde a inauguração, mais de 15 mil atendimentos, entre consultas, exames e procedimentos, foram realizados.

Policlínica Regional de Saúde em Jequié

Paulo Roberto Góes é médico endocrinologista na policlínica, nascido em Jequié, se formou e fez residência na capital baiana. Ele acredita que com a implantação da unidade, todo o sistema de saúde sai ganhando, porque é possível resolver problemas desde o início. Um desses exemplos é uma glicemia um pouco mais alta, que pode evoluir para uma diabetes de difícil controle, além de se tornar um fator de risco para enfarto e AVC. O custo hospitalar disso acaba sendo muito maior.

“Quando você coloca esse atendimento próximo a população, com qualidade e podendo resolver suas demandas, isso faz toda diferença na vida das pessoas. Você tem retornos rápidos, consegue resolver de forma efetiva os problemas, não tem a perda de tempo entre a consulta do médico, a realização do exame, a tomada de decisão diagnóstica, a tomada de decisão terapêutica, então o paciente sai ganhando”, afirma Góes.

Estrutura

Inaugurada em dezembro do ano passado, a estrutura da policlínica conta com quase 3 mil m², com recepção, 12 consultórios, farmácia, diversas salas para exame, administração, área de procedimentos entre outros, tudo com rede wi-fi e ar-condicionado. São 80 funcionários na unidade, sendo 20 médicos, os outros se dividem em funções administrativas e outras áreas de saúde. Os 13 micro-ônibus e a van que fazem o transporte dos pacientes também tem espaço garantido no amplo estacionamento.

“Nós temos uma arquitetura agradável, você pode observar jardins abertos, e tudo isso auxilia na ambiência da policlínica e a estrutura em si para os serviços. São salas amplas, a higienização é feita diariamente e muito cuidadosamente. Além de todos os recursos, muitos equipamentos de última geração, até os médicos ficam surpresos. É uma estrutura de excelência mesmo”, explica a diretora geral da Policlínica Regional de Saúde em Jequié, Ignês Lopes.

Ignês Lopes, diretora geral da Policlínica Regional de Saúde em Jequié

Entre os exames que podem ser feitos na unidade estão raio-x, laboratoriais (só por demanda dos médicos da própria policlínica), tomografia, mamografia, eletrocardiograma, monitorização ambulatorial da pressão arterial (mapa), holter (monitoramento cardíaco), ecocardiograma, eletroencefalograma, teste ergométrico, endoscopia. Procedimentos como biopsias e vasectomia também já são possibilidades reais na policlínica.

A frente da direção da unidade, Ignês Lopes também comemora uma conquista recente. Apesar do local prever espaço para ressonância magnética, o exame não é feito lá, mas no Hospital Geral Prado Valadares, também na cidade de Jequié. O agendamento é feito de forma igual aos outros procedimentos, só que ao chegar na policlínica, o paciente é levado para realizar o exame. A vantagem dessa integração vai além, a área destinada a ressonância magnética ganhará uma nova utilização.

“Em relação ao espaço que seria usado para a ressonância magnética, foi firmado um convênio do Governo do Estado com o Hospital do Câncer de Barretos e será implantado um Centro de Prevenção de Câncer do Colo do Útero e Mama. Foi assinado esse contrato, existe uma necessidade de estrutura, vai ser feita uma obra para implantar esse serviço, e provavelmente também vamos receber mais equipamentos”, aponta a gestora da unidade.

No momento, 14 especialidades médicas estão disponíveis no local: cardiologia, urologia, endocrinologia, otorrinolaringologia, ortopedia, ginecologia, gastroenterologia, cirurgia geral, endoscopia digestiva, radiologia, oftalmologia, anestesiologia, dermatologia e pneumologia. Além desses, caso os médicos da policlínica solicitem o encaminhamento do paciente, estão a disposição psicólogo e nutricionista.

A policlínica também tem uma vantagem relacionada a duração dos atendimentos e permanência nos consultórios. “As consultas aqui são mais aprofundadas, a gente demora de 15 a 20 minutos com os pacientes, a depender da demanda e do que é necessário. Satisfação para o paciente e para o médico também, que não tem aquela rotina corrida e pode conversar mais, examinar com calma” descreve a médica dermatologista da unidade, Paula Carolina Souza.

Paula Carolina Souza

A unidade não é destinada ao atendimento de urgência e emergência, e sim para média e alta complexidade. Os pacientes também não podem chegar no local e marcar uma consulta, exame ou procedimento. Isso é feito por meio da central da regulação do município em que a pessoa reside. Geralmente esse papel é exercido pelas Secretarias Municipais de Saúde, que também articulam a ida e volta das pessoas da cidade de origem para Jequié, sede da policlínica.

Os casos levados para a policlínica são aqueles que não necessitam de avaliação imediata do especialista, que não podem ser resolvidos na atenção básica, em unidades de saúde municipais. A unidade funciona como um apoio para este atendimento primário, feito nas cidades. Além de tudo, o paciente encaminhado para lá deve permanecer em acompanhamento com a equipe de atenção básica.

Policlínica Regional de Saúde em Jequié

Amplo acesso
A estrutura grande e diversificada, com vários profissionais e procedimentos disponíveis tem levado um alento a população que não teria acesso a uma assistência médica de qualidade. Moradora de Ibirataia, a 70 km de Jequié, Neuza Silva trabalhava em plantações de cacau na zona rural, atividade que desempenhava desde os seis anos de idade. Há alguns anos levou uma queda e quebrou a perna em dois lugares e dois dedos. Por não ter condições financeiras para o tratamento adequado, ela acabou deixando passar.

“Na hora eu nem me importei, curei dentro de casa. Aí depois vieram os problemas. Não tinha condições de pagar hospital, nesse tempo os exames eram muitos caros e a gente não estava tendo condições, curei dentro de casa, curei não, deixei. Mas agora comecei a sentir muitas dores, se eu andar e não tiver alguém perto, eu caio. Vim fazer os exames agora para ver o que tem. O médico me examinou e já disse que eu estou com reumatismo”, relata Dona Neuza.

As dores impedem até que Dona Neuza fique na sua casa, já que o acesso é mais difícil, então ela tem dormido alguns dias na casa da filha mais nova. Como sua residência não tem água, carregar os baldes se tornou mais um motivo para o acolhimento da caçula. Entretanto a melhora tem sido uma esperança cheia de planos, principalmente depois de ter feitos os exames e receber atendimento médico.

Ela quer retribuir todo carinho recebido pela família, voltar a trabalhar e cuidar de todos ao seu redor. “Estou me sentindo mais tranquila, porque pelo menos o tratamento eu vou ter. Primeiro era tudo pago, agora não. Se minha situação melhorar, quero tentar trabalhar de novo, mas não sei vou aguentar. Com cacau ou sem cacau, alguma coisa tenho que fazer. Tem um bando de netos, dez filhos, preciso ajudar todo mundo de algum jeito”, completa Dona Neuza.

O sofrimento não permite comparações, porém não saber o que a filha tem, tira noites de sono de Lucinete Sodré, moradora de Aiquara, a 50 km de Jequié. Há mais de dois anos, a servidora pública municipal presencia as dores que a filha sente nos olhos. São momentos em que a adolescente não consegue fazer mais nada, apenas deitar e esperar passar. A carência na estrutura e falta de atendimento a deixam ainda mais preocupada com a situação.

Lucinete Sodré, moradora de Aiquara, e sua filha

“Levava no médico, ele passava remédio, ela tomava, mas não via resultado. E lá na minha cidade, tem um senhor, que ele não é médico, mas a gente o considera como médico, porque na cidade, por ser pequena, quando não tinha médico, a gente sempre recorria a ele. Ele falou que tinha que procurar urgente um oftalmologista, porque isso era muito prejudicial à saúde dela e a idade dela também”, conta Lucinete Sodré.

Mesmo sem diagnóstico preciso, há desconfiança de que a jovem sofra de crises de enxaqueca. Na policlínica ela recebeu atendimento de um oftalmologista, que não detectou nenhuma anomalia. Agora o clínico geral solicitou que fosse realizado um eletroencefalograma para que continue a investigação sobre o problema da jovem. O acolhimento trouxe alguma tranquilidade para Lucinete, principalmente em relação a gratuidade dos procedimentos.

“Então se a gente fosse pagar, é muito dinheiro, isso aqui veio facilitar muito a nossa vida, principalmente quem é servidor público, que recebe um salário mínimo, não tem como a gente pagar. São dois, três, quatro exames que eu tinha que fazer. E sempre que a gente vai em médico, passam outros tipos de exame. Tudo isso complica mais a vida da gente. Estou mais aliviada, com certeza, se for para pagar algo mais, só remédio ou se precisar de outros tipos de exame que não tenham aqui”, completa Sodré.

Regionalização
A construção e implantação das policlínicas tem levado ao aumento da regionalização da saúde em toda Bahia, sendo capitaneado pelo Governo do Estado. Cada unidade tem um custo médio de implantação de R$ 25 milhões e segue um padrão, com aproximadamente 3 mil m² de área construída. Exames, procedimentos e consultas também respeitam o modelo estabelecido, porém a partir do perfil epidemiológico da região – que mostra frequência e distribuição dos problemas de saúde -, são incluídos novos serviços.

A manutenção dessas unidades é feita por meio de um consórcio entre os municípios atendidos, sendo o custo divido em 40% para o Governo da Bahia e 60% para as prefeituras conveniadas. Neste modelo de consórcio, parte da construção é assumida integralmente pelo estado, porém em certos casos pode ser dividida com os municípios. No tocante a gestão, a escolha dos gestores das unidades é outro diferencial, é feita uma seleção com prova e outras fases.

Além de Jequié, Irecê, Teixeira de Freitas e Guanambi, com espaços já inaugurados, neste semestre, as obras serão finalizadas em Santo Antônio de Jesus, Valença, Alagoinhas e Feira de Santana. Com início de construção já autorizado estão as unidades de Simões Filho, Vitória da Conquista, Paulo Afonso, Juazeiro, Senhor do Bonfim, Jacobina e Escada (Salvador). Serão 17 construídas ou em construção até o final de 2018.

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