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Masculinidade tóxica: O que é?

“MASCULINIDADE TÓXICA” é um dos temas que têm ocupado cada vez mais espaço nos diferentes meios (acadêmicos, institucionais, organizações sociais) e na sociedade em geral. O termo tem sido definido como “uma crítica aos comportamentos desnecessários e destrutivos, interna e externamente conectados a uma visão de mundo que entende o masculino como superior ao feminino”, onde o “ser homem” é não ser ou não ter qualquer comportamento dito como “feminino”.

Esse padrão masculinidade resulta de uma construção cultural profundamente injusta, repressiva e nociva, que afeta não somente as mulheres, mas, paradoxalmente, também os próprios homens. A construção socialmente arbitrária do masculino e do feminino torna evidente que as desigualdades sociais não são inerentes às diferenças biológicas ou naturais entre homens e mulheres, mas decorrentes de relações sociais ou do modo como as sociedades vêm construindo ao longo da história as relações de gênero.

Esses padrões culturais impõem barreiras difíceis de serem transpostas pelas mulheres. Exigem transformações na sua forma de ver, de ser e estar no mundo, sendo esta uma condição necessária para que também se produzam mudanças no mundo masculino. Ser homem e ser mulher implica em relações sociais entre um e outro, logo a mudança de um leva necessariamente à mudança do outro.

Como superar a masculinidade tóxica?

Como superar esse padrão de masculinidade tão nocivo às mulheres quanto aos próprios homens? Quando nascem, os homens não são “naturalmente” violentos e nem as mulheres dóceis e submissas, mas, desde então, recebem tratamento social e são modelados segundo as imagens idealizadas e as representações atribuídas à masculinidade e feminilidade para que atuem segundo um padrão de comportamento patriarcal. É preciso que se entenda que a violência de gênero surge como “produto” de uma relação entre o homem e a mulher, a qual, para além das aparências, deve ser vista a partir das suas causas, de forma a se eliminar a ideia da mulher vítima e do homem algoz.

As discussões sobre masculinidades tóxicas poderão esclarecer mais sobre as relações violentas e opressivas de gênero, liberando homens e mulheres da manutenção da imagem idealizada que os aprisiona e abrindo perspectivas de construção de novas masculinidades e novas relações de gênero que contribuirão para uma vida plena.

*Maria de Lourdes Schefler – Socióloga e assessora técnica da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM-BA)

 

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